DISCOGRAFIA


Brincando com Fogo
1992
Devil Disco
FDS-CD 0

1. Evridei (Laert Sarrumor)
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2. Historinha (Laert Sarrumor)
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3. Pederasta (Ruy F. Barboza)
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4. Piruzinho (Laert Sarrumor)
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5. Vasectomia (Carlos Melo)
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6. Acalanto (Ayrton Mugnaini Jr. - Wilson Rocha)
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7. Sampa (Caetano Veloso)
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8. Crocodilo (Laert Sarrumor)
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9. Tudo o que eu quero (Laert Sarrumor)
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10. Cagar é bom (Laert Sarrumor)
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11. Insatisfaction (Laert Sarrumor)
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12. Benzinho (Carlos Melo - Laert Sarrumor)
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13. Start (Laert Sarrumor)
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14. A insurreição feminista (Laert Sarrumor)
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1. EVRIDEI
(Laert Sarrumor)

Evridei ai gueti iuó, uiô
Evrimornin gussin
Iugou, uiô
Evridei a refre ziul
Evridei ai guessin ditiu,
Uh uh-uh
Evritaime guessin iunou,
Uiô
Evrimornin reprin
Iugou, uiô
Evridei a refre ziul
Evridei ai guessin ditiu,
Uh uh-uh
Evridei, evridei iei iei-iei
Evrimornin gou,
Evritaime iugou uou-uou
Evridei iei
Evrigou tiungou


2. HISTORINHA
(Laert Sarrumor)

A primeira vez que a gente fez amor
Foi naquela Kombi com cortininhas na janela
Ela era azul e branca e eu com muito tato
pus a chave no contato e a gente acendeu
a luzinha amarela
O rádio tava quebrado e não deu nem pra escutar
Aquela nossa musiquinha
Mas o molejo e a suspensão tavam sem graxa
E fizeram um barulhão que parecia uma bandinha
Hoje a gente fica aqui juntinho e fracassado
E relembra a nossa história
Depois de alguns meses alugamos a casinha
Nós vendemos nossa Kombi, nosso ninho enferrujado
E usamos o dinheiro
pro depósito da casa e pros móveis da cozinha
Nossos filhos são doente, miseráveis e carentes
E não podem ver uma Kombi passar
Eles sabem que nasceram
Porque o banco do meio tava fora do lugar
Vejam só que vida ingrata, outro dia num desmanche
Eu encontrei a sucata da nossa peruazinha
E tive um estremecimento ao ver que no velho assento
Ainda tem uma manchinha


3. PEDERASTA
(Ruy Fernando Barboza)

Sou pederasta, não preciso esconder
Sou pederasta, o destino quis assim
Se dois homens se amam
têm o direito de juntos viver
Isso não é imoral
E ninguém vá rir de mim
Por tanto tempo
Nós vivemos bem juntinhos
O nosso amor
Foi dentre todos o mais puro
Teus lábios em meus lábios
A saliva era uma só
Te dei casa e comida, garanti o teu futuro
Mas quiseste trocar-me por uma mulher
Sedutora, é verdade, mas sem brio
E agora que ela já não mais te quer
Voltas pra mim, sentes fome sentes frio
Pois vá-te embora, não mereces meu perdão
Vai saciar tua fome de amor junto à prostituição
Pois vá te embora, eu já tenho outro rapaz
E no meu colchão você não ejacula mais


4. PIRUZINHO
(Laert Sarrumor)

Ai, ai! Ai, ai!
Meu piruzinho
Ai, ai! Ai, ai!
Tá doentinho
Precisa operar,
Precisa operar
Ai, ai, ai, ai ai…


5. VASECTOMIA
(Carlos Melo)

É uma coisa tão simples
mas ao mesmo tempo uma coisa tão eficaz
É o tipo de atitude que você pratica
E não esquece jamais
Pois basta uma incizãozinha
A gente não faz mais criancinha
O que é? (vasectomia)
O que é? (vasectomia)
Aprovada (vasectomia)
Por Herodes (vasectomia)
Pois com ela (vasectomia)
Não viriam ao mundo (vasectomia)
Figuras como (vasectomia)
O próprio Herodes (vasectomia)
Adolf Hitler (vasectomia)
Augusto Pinochet (vasectomia)
Anastácio Somoza (vasectomia)
Imelda Marcos (vasectomia)
Idi Amin Dada (vasectomia)
O Clóvis Bornay (vasectomia)
O Lizoel (vasectomia)
O Paul Simon
O David Byrne
Jorge Tadeu (vasectomia)
Odete Roitman (vasectomia)
Saddan Hussein (vasectomia)
O Laerte Vicente (vasectomia)
O Moisés Inácio (vasectomia)
Língua de Trapo (vasectomia)
Pois basta uma incizãozinha
A gente não faz mais criancinha
O que é? (vasectomia)
O que é? (vasectomia)
Experimente (vasectomia)
Experimente (vasectomia)
Way don’t you try ? (vasectomia)


6. ACALANTO
(Ayrton Mugnaini e Wilson Rocha)

Dorme, filhinho
Dorme de uma vez
Que eu tenho que arrumar
A bagunça que você fez
A alegria que você me dá
É grande como a pilha
De fralda pra lavar
Quando você dorme
Eu posso perceber
Ser mãe não é tão fácil
Mãe gosta de sofrer
Eu gosto tanto
De te ver sonhar
Só não te dou um beijo
Pra você não acordar
Dorme, filhinho
Que a noite já vem
E eu não vejo a hora
De te mandar pra
FEBEM


7. SAMPA
(Caetano Veloso)

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
É que quando cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil no começo, afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva Pan-Américas de Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mas possível novo quilombo de Zumbi
Que os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa


8. CROCODILO
(Laert Sarrumor)

Sou do centro-oeste,
Tenho muito estilo
Carango importado
Bolsa crocodilo
Sou o novo-rico de Goiás,
Sou o novo-rico de Goiás
Já garanti meu dia de amanhã
Comprei fazenda em Ponta Porã
Eu tiro o coro, arranco a pele,
extermino, assino e dou fé
Eu mato jacaré, eu mato jacaré
Todo mundo sabe, já deu no jornal
Tem até novela e especial
Matança no Pantanal, matança no Pantanal
Mas todos têm é que cruzar os braços
Pois para o dólar não há embaraços
Eu tiro o coro, arranco a pele,
extermino, assino e dou fé
Eu mato jacaré, eu mato jacaré


9. TUDO O QUE EU QUERO
(Laert Sarrumor)

Tudo o que eu quero é sorrir
O que eu mais espero é sorrir
Nunca chorar, sempre sorrir
Bobo alegre, bobo alegre
Tudo vai bem,
Não sobrou pra ninguém
Já dizia o cantor
Tudo está em seu lugar
(Graças a Deus)
Pra que chorar, se amofinar
O que eu quero é me alienar (alienar)
O que eu quero é me alienar (alienar)
Isso é um costume milenar (milenar)
Me ajuda Milena (Milena)


10. CAGAR É BOM
Laert Sarrumor
1988

Cagar é bom quando a gente tá em paz
Ouvindo na água o som
Que a merda caindo faz
Cagar molinho, cagar durinho
Cagar soltinho
De qualquer jeito, de qualquer maneira
Até quando é caganeira
Cagar é bom, é muito bom
Cagar é bom demais…


11. INSATISFACTION
(Laert Sarrumor)

A bossa nova é um saco
Eu não sei se eu gosto muito do Tom Jobim
Rock’n Roll já não me dá barato
Nem o blues faz minha cabeça tanto assim
Ando meio ligado em música flamenca
Ando meio ligado em rítmo latino
Mas tudo me soa assim meio capenga
Eu tô procurando o meu caminho
Há dez anos eu já desconfiava
Que um dia eu ia enjoar
Busquei refúgio na música clássica
Mas nem aí eu consegui me achar
Jazz é legal mas parece assim meio punheta
O músico buscando a própria satisfação
Será que o importante mesmo é a letra?
Eu sigo buscando o gosto da canção
Eu tô procurando o que me dê tesão
Eu botei fé na tal de vanguarda
Novas estéticas perseguindo o novo
Mas vi muita gente pedindo água
Andando pra traz pra alcançar o povo
Sobrevivência é o que importa
Comida pintando no prato do artista
Sair do país talvez seja uma porta
Mas eu sigo buscando uma nova pista
Eu tô procurando a minha pista
Eu quero encontrar o meu nome na lista
E sigo escutando a minha alma de artista


12. BENZINHO
(Carlos Melo e Laert Sarrumor)

Benzinho, minha sexualidade
de fato é bem pior que a do Marquês de Sade
Me dá tua mão, que eu quero amputar
Põe aqui o teu pescoço, que eu vou guilhotinar
As formas ortodoxas de conseguir prazer
Estão mais ultrapassadas do que motor de DKW
Por isso mete bronca, não banque a demodée.
Benzinho, que louca perversão
Não posso ver lolita me dá logo emoção
Se sou incestuoso, mamãe é que é culpada
Quando fiz cinco anos passou-me uma cantada
Antigamente eu era um libertino matusquela
Minha vida mudou ao ler o Fórum de Ele e Ela
Hoje pedofilia, pra mim é uma balela.
Benzinho, não me julgue um palerma
Só quero te afogar num mar de sangue e esperma
Arranca a minha unha, provoca um hematoma
Como nos cento e vinte dias de Sodoma
Em termos de sacanagem eu só conheço a teoria
Pois quem domina este assunto
principalmente a sodomia
Não sou eu nem tu, benzinho
São os ministros da economia


13. START
(Laert Sarrumor)

Se visto roupa de grife ou se ando nu
Se destrincho um bom bife ou tomo uma sopa
Se meu tênis é Nike não fico numa Nice,
eu corro perigo
Mas se tenho os pés no chão aí então eu sobrevivo
Você me olha assustada e me diz tanta coisa
mas eu nem escuto
Tento matar a charada mas o meu walkman
me separa do mundo
Olhos que nunca vi me acompanham tristonhos
na MTV
Surge uma nova tônica e um último adeus na
secretária eletrônica
É minha vez, tô relax
Tanto fez tanto fax
Se eu descolei um disco laser para o meu laser
Ou se chamei a rapeize para um paint-ball
Bolas de cor, Daktari, Gradiente, Atari,
Nintendo por quê
The songs remains the Same
e no vídeo game o que importa é vencer
É minha vez… O meu micro me alerta:
aperte esta tecla e entre com tudo
Ou se falta coragem pode frisar a imagem
um frame de um segundo
Rebobine sua vida, você ta mal na fita
sujou o cabeçote
Apagaram a memória, desprezaram tua história,
Te queimaram no software
É minha vez…


14. A INSURREIÇÃO FEMINISTA
(Laert Sarrumor)

Fá-lo-emos em picadinho
Vociferavam as mulheres
Tendo em seu poder o assassino que houvera cometido
Um crime bárbaro, hediondo, monstruoso
Transidas de horror
Em violenta comoção, furibundas e possessas
As mulheres gritavam: lincha, esquarteja, retalha e pica…
Haveremos de trucidar
Doca Street, Michel Frank e o Lindomar
Desprezíveis criaturas
Carcomidas pelo execrável machismo
Que assola, que solapa, que tripudia
E faz das mulheres vítimas do terror
Em violenta comoção, furibundas e possessas
As mulheres gritavam: lincha, esquarteja, retalha e pica…

Ficha Técnica:

Arranjos: Sérgio Gama, Cacá Lima, Laert Sarrumor e Língua de Trapo.Direção de Estúdio: Laert Sarrumor, Sérgio Gama, Cacá Lima e Língua de Trapo. Assessoria Técnica: Walmor Gressler
Produtor Fonográfico: Dévil Discos. Técnico de Gravação e Mixagem: Daniel Krotoszvnski. Assistente de Estúdio: Paola Pelosini.
PARTICIPAÇÕES: Moisés GraceBlack Inácio, o performer da banda e Laerte Bibó Vicente, o roadie da banda, na música “VASECTOMIA”. Paola na vinheta do disco riscado e na música “VASECTOMIA”.
Criação das vinhetas: Laert Sarrumor. Capa & Livreto: Criação e Produção de Cassiano Roda. Ilustração da Capa: Rodval Matias. Fotos: ( Capa & Livreto )Walter Moraes. Fala de Abertura: “Eles não perdoam ninguém: Língua de Trapo”, de Jô Soares, gentilmente cedida pelo próprio. Agradecemos: Ao Língua de Trapo. Agradecemos: também ao Edson Benatti, Flávio Hortêncio, Chicão da Dévil, Ney, Marina e toda a família Valentim, produção do Jô Soares, José Carlos Dias Micuim, Maradona e toda galera do Rac e a todos aqueles que deram uma força e não fizeram mais que a obrigação. Dedicamos as músicas: Historinha a Jorge Mautner e Vasectomia ao Jaguar, o primeiro que assumiu. Gravado e Mixado de maio a Julho de 1992 no Estúdio Rac, São Paulo.


 

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